sábado, 7 de março de 2009

Falta de senso: uma pequena crônica baseada em fatos reais

Ela era bonita e sabia fazer um bom uso disso. Andava sempre bem arrumada, era simpática com todos e sempre conseguia tudo o que queria. Tinha muitos amigos e vivia fazendo novos. Vez ou outra, não podia evitar magoar os amigos velhos: esse é o peso de ser bonita e simpática demais. Você acaba fazendo coisas que podem machucar as pessoas... Como, por exemplo, beijar o garoto pelo qual uma grande amiga sua é apaixonada. Mas é claro que para ela não houveram conseqüências: ela sempre conseguia tudo o que queria, ou mais que isso. Então ela conseguiu o perdão dessa amiga, como se nada fosse.
E mesmo assim, queria mais. Havia posto os olhos em um garoto, um amigo da amiga da sua amiga. Nunca havia falado com ele, e não achava que isso fosse importante. Ela o queria e ele seria dela, mesmo que ele ainda não soubesse disso.
Ele era bonito, simpático e atraente. Mas não era um conquistador: ele não parecia ser o tipo de homem que perde tempo atrás de qualquer garota. Convivia com algumas pessoas do ciclo social dela, incluindo algumas meninas que ela havia acabado de conhecer.
Se ele não corria atrás de qualquer garota, estava tudo bem: ela não era qualquer garota. Era uma boa pessoa, era bonita e era simpática. Ele seria dela.
Então vem o erro fatal: a falta de auto-valorização. A menina que tinha tudo para ser perfeita começa a se rebaixar, jogando-se para cima do cara atraente que ELA julga ser perfeito. Mas não podemos nos esquecer de que esta história é sobre seres humanos: imperfeitos em muitas coisas, mesmo que não vejam isso nos outros ou em si mesmos.
Ele não parecia notá-la: estava sempre abraçado com as amigas, estava sempre sorrindo e aproveitando a vida da forma como gostava. Ela estava pelos cantos, sempre olhando-o, e tentando encontrar uma forma de chamar-lhe a atenção. Mas ele não parecia gostar de meninas tão chamativas assim.
Ou talvez ele simplesmente não gostasse de meninas muito seguras de si mesmas.
O tempo foi passando, e ela só conseguia falar sobre ele, pensar sobre ele e transmitir sua devoção a algo que ela nem conhecia. A algo que ela não sabia se era bom ou mau, mas julgava ser maravilhoso. Outro preço que as pessoas pagam por suas aparências: são julgadas sem ter a chance de abrir a boca e trocar três palavras com o outro.
Começaram as piadinhas, as risadinhas, e tudo parecia uma grande graça. Ela estava se divertindo, mas ao mesmo tempo não estava. Isso podia terminar bem, assim como podia terminar mal.
E eis que a verdade surge: não adiantava que ela fizesse cara feia para cada amiga que se aproximasse dele com carinho, não adiantava falar alto ao telefone para que ele ouvisse e definitivamente não adiantava ter membros em comum entre seus ciclos sociais. Porque ele já era apaixonado por uma menina, que era tão bonita e tão simpática quanto ela, e igualmente maravilhosa. Então ela descontava a sua frustração em outros garotos, e mais outros, e mais outros... Até que o brilho da garota especial foi perdendo a cor. Ela já não era grande coisa para ninguém, apesar de continuar a mesma. A única coisa que havia mudado era a sua determinação: aos poucos, ela ia percebendo que não havia jeito.
Ela não conhecia a outra menina, então não havia nada que pudesse fazer. Ela não tinha coragem de se aproximar dele e dizer tudo o que pensava, porque ele com certeza pensaria que ela é maluca (acreditem, eu o conheço e sei que é exatamente o que ele pensaria). Ele não entenderia como ela pode gostar dele tanto assim se eles nem ao menos conversaram. A explicação é simples: amor platônico. Eu disse que era simples, mas não disse que fazia sentido.
Sabem o que resta dessa história toda? Uma grande frustração para ela, um motivo de piada para os outros. Piada pelo fato de ela ser tão bizarra e tão presa em sua bolha de auto-confiança que acaba sendo incapaz de perceber quando a coisa passou da fase da graça pra fase do ridículo.
Ela respira fundo e deixa tudo de lado, para recomeçar o ciclo com uma outra pessoa.

Fim.
Sem grandes filosofias, esta história tem apenas uma moral: se você é assim, mude.
Porque no final, você vai descobrir que não vale a pena. E só pra deixar claro, a "ela" do texto não sou eu, e também não é uma grande amiga minha. É uma conhecida que eu tive a chance de ver em ação, como tantas outras que existem por aí.
Tantas outras...

6 freckledmaníacos.:

Caamila ;D disse...

well..
eu tenho um amor platônico há, mais ou menos, quatro anos e meio!
HSUAHSUHSAUHSU

mas nunca falei com ele e o vejo pouquíssimas vezes..acho que ele nem sabe da minha existência..

mas sinceramente:
acho que nem quero que ele saiba.. pq se não perde a graça..
aquela velha história 'só é legal pq é platônico'

mas eu tbm não fico correndo atrás dele ou fazendo algo pra chamar a sua atenção,
se fizesse, creio que ele já saberia da minha existência afinal: são uns 4 anos!
tanto que esse ano creio que só o vi uma vez!
sahushasuhaushau


enfim..
não pense que sou que nem a menina da crônica..
o meu amor platônico é saudável e bonitinho até :D

xxx

Anônimo disse...

Sou carente e em todo lugar tenho um amorzinho platonico, mas ele geralmente só dura 10 minutos, ou 2 dias

o.o

Maah ~ disse...

Eu tenho o grave problema de quem eu gosto não gosta de mim e quem gosta de mim eu não gosto. Sabe, o ano passado eu decidi correr atrás de quem eu gostava e me ferrei. Agora, mais do que nunca quero ficar solteira pro resto da vida que dá mais certo. Cansei de ver as garotas lambendo os pés dos rapazes, acho nojento isso. "AAI, TE AMO ETERNAMENTE!" essa é a frase mais hiopócrita que alguém pode falar na idade que a gente tá. Me dá vontade de vomitar.

[Depoimento de uma solteira encalhada convicta.]

Dóri disse...

Eu tenho o grave problema de quem eu gosto não gosta de mim e quem gosta de mim eu não gosto. [2]
E concordo com todas as outras palavras da Mah UHUAHUDHUAHUDA

Anninha disse...

Eu tenho o grave problema de quem eu gosto não gosta de mim e quem gosta de mim eu não gosto. [3]

x.inner.x disse...

grande demais, mas eu li *-*
e bem, eu não me encaixo em todos os aspectos, mas tenho algumas amigas [amigas mesmo, melhores amigas, muito próximas] que são como a 'ela' do texto. sabe, não é legal.
minha auto-estima é geralmente nula, e quando eu presencio as 'situações' delas, minha auto-estima vai abaixo de zero, entra em processo de congelamento e racha.

mas eu respiro platonismo, cara... até acho que eu não sou muito de romantismo, mas é inevitável: se eu vejo um cara aqui e começo a imaginar toda a história dele, pronto, gamei. fora todos os caras inalcançáveis/inatingíveis/impossíveis forevah [viva Danny!], que são os maiores amores platônicos da minha vida.

[Depoimento de uma solteira encalhada convicta.] 2²²²²²

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