terça-feira, 11 de agosto de 2009

Paraíso


Nota da Autora: o texto abaixo não acrescentará nada à sua gloriosa vida.

Naquele começo de tarde de sábado, na estação Jabaquara, embarquei no último vagão do trem sentido Vila Mariana pensando que queria um namorado. Pra ser mais clara, pensei que precisava de um namorado simplesmente para ter algo de diferente na vida.

Não sei por que, mas a maioria de nós tem a mania involuntária de colocar sempre a aparência antes de tudo, então, lá estava eu tentando montar meu namorado ideal como se estivesse brincando no CandyBar. Não pude evitar pensar primeiro no meu tipo favorito: magricelas de um e noventa vestindo xadrez, pele quase translúcida com o maior número de sardas que conseguir exibir (por que será que gosto tanto desse nome, Freckled Guitar?), olhos vagos, porém expressivos (?) e, de preferência, assim, preferência preferencial, ruivo.

Quando escutei a voz do moço que dirige o metrô (esqueci o nome, começa com ‘C’?), voltei ao mundo real e percebi que a probabilidade de encontrar um garoto daqueles pela cidade, querendo muito encontrá-lo e ainda esperando que ele quisesse ter algo com a coisinha retardamente tagarela que sou, seria muito difícil. Afinal, eu não estava navegando no LookBook e muito menos passeando pela Irlanda.

Então, me empenhei em elaborar um garoto facilmente encontrável. Não estava obtendo muito sucesso até levantar os olhos do iPod e guiá-los para a porta quando o trem parou – não lembro exatamente em qual estação –, ele entrou no meu vagão, e ocupou o assento à minha frente enquanto eu o seguia com o olhar.

Pois bem, havia encontrado o encontrável perfeito e estávamos relativamente próximos. Ele não era ruivo e ficava um pouco abaixo dos 190 centímetros, mas era magrela, vestia uma camisa xadrez branca e azul, caminhava sobre Vans e parecia ter a minha idade. Também tinha os ouvidos obstruídos por fones como eu e o seu iPod, que descobri ser branco um pouco depois, contrastava totalmente com o meu, preto. Além disso, seus cabelos loiros tinham um corte legal. Já estava bom demais para mim!

Ficamos nessa de “estou te olhando sem te olhar” enquanto rolávamos nossos polegares na nossa bugiganga fonográfica e até fizemos baldeação juntos na Paraíso (encarei como ironia). Entramos no mesmo vagão novamente, mas desta vez ficamos em pé, segurando-nos nas barras de metal para não cairmos quando o trem freasse bruscamente, fazendo um barulho agudo, parecido com um “woop” agonizante. Outras pessoas, todas hypes da vida, embarcaram conosco, claro , atrapalhando nossa brincadeirinha de olho-não-te-olho, incluindo um casal de namorados que parecia ter a mesma média de idade que nós.

Obviamente que durante todos aqueles minutos, desde que ele havia pulado na minha visão, eu já tinha imaginado mil gestos e situações para passar ao lado dele, incluindo muitas idas à Starbucks, que era o meu destino final. Quis segurar sua mão só para mostrar ao casal de namorados recém-embarcado e cheio de nhénhénhé que poderíamos ser muito mais bonitos e hypes do que eles (que coisa idiota), mas não o fiz. Ainda me resta algum controle sobre impulsos.

Depois que ambos desembarcamos na Trianon, seguimos direções totalmente opostas. Ainda assim, fiquei comentando sobre ele para as garotas durante um tempo considerável antes de ocupar a cabeça e a boca com outras coisas.

Na hora de voltar, lá para umas sete e meia da noite, eu e Dylan (meu iPod), embarcamos na Consolação, sentido Alto do Ipiranga. Mal acreditei na minha visão, mas juro pelo Danny Jones e seus oblíquos à mostra sobre a minha cama (?) que ele entrou no mesmo vagão que eu de novo, só que na Trianon-Masp. Dessa vez ele se sentou mais longe, mas creio que ele ficou tão assustado quanto eu quando me viu. Nem sorrimos um para o outro, continuamos no chove-não-molha de olhares furtivos e dedos deslizando nos iPods.

Até depois do momento que ele desceu antes de mim, e virou um borrão do outro lado da janela do metrô, fiquei me perguntando se o que acontecera tinha algum sentido ou significado, se eu devia falar com ele ou ao menos sorrir, se aquilo significava que iríamos ter alguma coisa no futuro porque poderíamos nos encontrar de novo, ou se havia sido apenas mera coincidência. Nessa hora foi legal acreditar no Nada É Por Acaso.

O chato é que faz mais ou menos um ano que isso aconteceu, eu já passei pelas mesmas estações inúmeras vezes, porém nunca mais o encontrei. Isso meio que me cutuca às vezes, quando passo por ali. Mas, sejamos francos, por mais que eu me lembre do rosto dele, este nem ao menos deve se lembrar que um dia nos cruzamos no transporte subterrâneo. E mais chato ainda é que, para a não-surpresa de toda a população do planeta, continuo sem namorado, pior que a Bridget.

Hm, aposto que quando o clipe dessa menina de High School Musical que está passando agora na MTV Hits acabar eu nem vou mais me lembrar disso. Geeeente! Esse menino de cachinhos castanhos que ela tá abraçando aqui é muito gato! Bem que seria legal ter um namorado assim... né?

1 freckledmaníacos.:

Dóri disse...

Adorei sua história com o garoto do metrô! HAHAHA

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